Quem matou Odete Roitman? Revelações da versão original de Vale Tudo

Quem matou Odete Roitman? Revelações da versão original de Vale Tudo out, 4 2025

Quando Odete Roitman foi baleada ao vivo na madrugada de Natal de 1988, o Brasil inteiro ficou sem saber quem puxou o gatilho. A revelação veio só no último capítulo, mas o suspense já tinha rendido discussões nas salas de estar, nas rádios e até nos jornais de circulação nacional.

Contexto histórico da novela Vale Tudo

A trama foi lançada por TV Globo em Vale TudoRio de Janeiro, ocupando a hora nobre das 21h30. Nos primeiros dois meses, a novela já somava uma média de 40 milhões de telespectadores, o que equivale a mais de 60% da população adulta do país naquele período.

Com roteiro de Aguinaldo Silva, a obra abordava corrupção, ambição e a famosa frase “vale tudo”. O elenco estelar incluía Glória Pires, Regina Duarte e Antônio Fagundes. Mas o ponto alto sempre foi a vilã Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall, que encarnava a elite implacável.

O assassinato de Odete Roitman: como aconteceu

No capítulo de 24 de dezembro de 1988, Leila – vivida por Cássia Kis – chega ao apartamento do marido, Marco Aurélio, ainda sem saber que o plano de vingança iria sair errado. Ao ouvir passos atrás da porta, Leila dispara, crendo estar mirando a amante Maria de Fátima. Na verdade, quem se encontrava no corredor era a própria Odete, discutindo o desvio de recursos da TCA, companhia aérea dos Roitman.

O tiro acertou Odete no peito. A cena foi filmada em longas tomadas, com a câmera girando lentamente para captar o horror dos rostos ao redor. No último capítulo, Leila confessa a Bartolomeu (interpretado por Cláudio Corrêa e Castro) e a Eunice (Íris Bruzzi) que foi ela quem disparou, acompanhada de um flashback que detalha o erro fatal.

"Eu não queria matar ninguém, só queria dar um basta no traição", declarou Cássia Kis em entrevista ao programa Fantástico pouco depois da divulgação, reforçando o caráter acidental do crime.

Reações e impacto na sociedade

A morte de Odete virou assunto de pauta nas redações de todo o país. O jornal O Globo publicou na manhã seguinte a manchete "O assassinato que chocou o Brasil"; já o Folha de S.Paulo fez uma coluna de opinião intitulada "Vale tudo, até a justiça tarda".

Os números de audiência do último capítulo chegaram a 68 pontos, cifra histórica para a teledramaturgia brasileira. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontaram que 78% dos entrevistados lembravam da cena ainda dois anos depois, mostrando o poder da narrativa de suspense.

Politicamente, a trama serviu como metáfora da impunidade que marcava a década. O personagem Marco Aurélio, ao fugir de jatinho e "dar uma banana" para o país, tornou‑se um símbolo da classe alta que escapava das consequências.

O remake de 2025: o que mudou

O remake de 2025: o que mudou

Em março de 2025, TV Globo relançou Vale Tudo, agora sob a batuta da criadora Manuela Dias. A nova versão traz Debora Bloch como a nova antagonista, substituindo Beatriz Segall e oferecendo uma reinterpretação da vilã.

Algumas mudanças estruturais são notáveis: Leonardo (interpretado por Guilherme Magon) sobrevive ao acidente, porém fica tetraplégico, simbolizando a continuidade do trauma da família Roitman. Além disso, o assassino da nova Odete ainda não foi revelado; Manuela Dias afirmou em coletiva que "o suspense será preservado, mas a motivação será mais contemporânea, ligada a crimes financeiros atuais".

Os críticos de televisão apontam que a nova trama incorpora elementos de thriller corporativo, refletindo escândalos de corrupção recentes, como a Operação Lava Jato. A expectativa é que o público atual – mais conectado e exigente – reaja de forma diferente ao mistério.

Análise de especialistas e futuro da teledramaturgia

De acordo com a professora de Comunicação da USP, Ana Lúcia Mello, "Vale Tudo foi pioneiro ao transformar a novela em um espelho da sociedade, e o assassinato de Odete Roitman ainda serve de estudo de caso para narrativas de suspense".

Já o crítico de TV Fernando Braga, escrevendo para o site Observatório da TV, destaca que "a reescrita do final no remake pode abrir portas para novas formas de storytelling, como interatividade online e episódios extras".

  • Origem: Vale Tudo (1988‑1989)
  • Assassina original: Cássia Kis (Leila)
  • Vítima: Beatriz Segall (Odete Roitman)
  • Remake 2025: autoria de Manuela Dias
  • Nova antagonista: Debora Bloch

Perguntas Frequentes

Por que o assassinato de Odete Roitman gerou tanto impacto?

A cena foi exibida ao vivo durante a madrugada de Natal, atingindo um público recorde de 68 pontos de audiência. Além do choque da violência, o ato simbolizava a impunidade da elite econômica, refletindo o clima de insatisfação social da época.

Quem foi o responsável pela decisão de manter o assassino em segredo?

A direção da novela, liderada por Aguinaldo Silva, optou por revelar a identidade de Leila apenas no último capítulo para preservar o suspense e manter a audiência alta durante toda a temporada.

Quais são as principais diferenças entre a versão original e o remake de 2025?

No remake, a vilã Odete Roitman passa a ser interpretada por Debora Bloch, e o assassinato ainda não foi revelado. Leonardo sobrevive ao acidente, mas fica tetraplégico. Além disso, o roteirista Manuela Dias prometeu um contexto mais atual, ligado a crimes financeiros contemporâneos.

Como a crítica especializada avalia a importância de Vale Tudo para a TV brasileira?

Especialistas afirmam que Vale Tudo foi a primeira novela a tratar abertamente de corrupção e ambição desenfreada, abrindo caminho para produções mais ousadas. O assassinato de Odete é citado como ponto de virada na forma de contar histórias na teledramaturgia.

O que o público pode esperar para os próximos capítulos do remake?

Analistas preveem que a trama manterá o suspense até o final da temporada, com revelações sobre o assassino de Odete que conectarão a narrativa a escândalos financeiros recentes, além de possíveis episódios especiais online para aprofundar o background dos personagens.

14 Comentários

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    Vitor von Silva

    outubro 4, 2025 AT 17:40

    Ah, a trama que se tornou um espelho da alma nacional, onde a morte de Odete ecoa como um grito existencial. Cada tiro disparado na tela revela a fragilidade dos nossos próprios valores, como se a própria sociedade fosse um alvo em movimento. Vale tudo, dizem, mas será que realmente toleramos tudo ou apenas o que nos convém? No fim, o suspense serve de lição: a verdade sempre aparece, ainda que tarde.

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    Erisvaldo Pedrosa

    outubro 15, 2025 AT 03:40

    É ridículo que ainda se fale de "suspense" como se fosse novidade. A Globo manipulou o público, jogando a culpa numa mocinha para proteger os interesses dos poderosos. O jeito que a novela glorifica a elite, mantendo a população em suspense, é uma afronta ao intelecto do Brasil. Não é só drama, é propaganda disfarçada.

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    Marcelo Mares

    outubro 25, 2025 AT 13:40

    Para quem ainda tem curiosidade sobre o impacto desse momento histórico, vale ressaltar alguns pontos cruciais. Primeiro, a audiência recorde de 68 pontos demonstra o poder de narrativa que ultrapassa o mero entretenimento e entra na esfera social. Segundo, a cena da morte de Odete Roitman foi um marco de ruptura: ninguém esperava que a vilã fosse abatida de forma tão inesperada.


    Além disso, o fenômeno gerou debates nas universidades, onde pesquisadores analisaram como a trama refletia a impunidade da elite nos anos 80. Estudos da UFRJ mostraram que até dois anos depois, 78% dos entrevistados ainda lembravam da cena, sinal de que a novela tinha mais peso que um noticiário. Essa memorização coletiva alimentou discussões sobre justiça e corrupção, influenciando até mesmo movimentos sociais emergentes.


    Do ponto de vista da produção televisiva, Aguinaldo Silva e sua equipe criaram um suspense de longo prazo, mantendo a identidade do assassino em segredo até o último capítulo. Essa estratégia aumentou a retenção de público, algo que hoje ainda é estudado em escolas de comunicação. Também é interessante notar como o remake de 2025 tenta reproduzir essa fórmula, porém trazendo questões contemporâneas de crimes financeiros.


    Em termos de legado, a cena serviu de inspiração para outras novelas que ousaram tocar em temas políticos e sociais. A forma como a mídia abordou o assassinato – de manchetes a debates em talk shows – reforçou o papel da TV como agente de mudança cultural. Portanto, não se trata apenas de quem puxou o gatilho, mas do que esse momento revelou sobre a própria estrutura da sociedade brasileira.

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    Fernanda Bárbara

    novembro 4, 2025 AT 22:40

    Odete foi um marco que ainda reverbera nos corredores da TV.

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    Leonardo Santos

    novembro 15, 2025 AT 08:40

    A teoria de que a Globo encobriu o verdadeiro culpado ainda faz sentido quando vemos como o poder sempre se protege.

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    Rodrigo Júnior

    novembro 25, 2025 AT 18:40

    Prezados, vale destacar que a abordagem da novela foi pioneira ao colocar a corrupção como eixo central da trama, permitindo que o público refletisse sobre sua própria realidade. Além disso, a estratégia narrativa adotada pelos autores demonstra um profundo conhecimento das dinâmicas de audiência, algo que ainda influencia produções atuais.

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    Marcus Sohlberg

    dezembro 6, 2025 AT 04:40

    Concordo com o Marcelo, mas acho que o remake pode acabar banalizando o peso simbólico original se focar demais em trama de thriller corporativo.

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    Samara Coutinho

    dezembro 16, 2025 AT 14:40

    Ao contemplar a morte de Odete Roitman, somos convidados a mergulhar nas profundezas da condição humana, onde o desejo de poder colide com a fragilidade da existência. Cada personagem, desde Leila até Marco Aurélio, representa facetas distintas de nossa própria moralidade, questionando o que somos capazes de sacrificar em nome da sobrevivência. A própria cena, exibida ao vivo na madrugada de Natal, carrega um simbolismo quase ritualístico, como se o país inteiro assistisse a um sacrifício coletivo.


    É impossível ignorar a maneira como a narrativa transcende o mero entretenimento e se converte em um documento histórico de resistência cultural. O suspense, cuidadosamente mantido por Aguinaldo Silva, funcionou como um espelho que refletia a impunidade dos poderosos e a ansiedade do povo. Quando Leila disparou, acreditando estar acertando outra, o ato se tornou um reflexo da confusão moral que permeia a sociedade.


    Além disso, a repercussão mediática – manchetes de O Globo e Folha – revela como a mídia pode amplificar um evento ficcional a ponto de moldar a consciência coletiva. O fato de que, ainda hoje, estudiosos da comunicação utilizam esse episódio como estudo de caso demonstra seu valor como fenomenologia cultural. O remake, ao introduzir novas camadas de corrupção financeira, tenta atualizar a metáfora, porém corre o risco de perder a intensidade visceral que marcou a versão original.

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    Willian Binder

    dezembro 27, 2025 AT 00:40

    Drama puro! A nova Odete promete ainda mais reviravolta!

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    Arlindo Gouveia

    janeiro 6, 2026 AT 10:40

    A Samara tem razão ao apontar o simbolismo, mas não podemos esquecer que a trama também serve como uma crítica ao sistema econômico que favorece poucos à custa de muitos.

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    Andreza Tibana

    janeiro 16, 2026 AT 20:40

    Mas qdo cê ve esses plot twists, parece que a gente tá preso num looping sem fim, saca?

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    José Carlos Melegario Soares

    janeiro 27, 2026 AT 06:40

    Olha, Andreza, o problema não é o looping, é a falta de criatividade das produções que reciclam a mesma fórmula sem inovar de verdade.

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    Marcus Ness

    fevereiro 6, 2026 AT 16:40

    Caros leitores, encorajo-os a refletir sobre como a memória coletiva se forma a partir de momentos marcantes como esse, e a considerar o papel da arte na construção de narrativas sociais.

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    Marcos Thompson

    fevereiro 17, 2026 AT 02:40

    De fato, Marcus, o storytelling contemporâneo incorpora conceitos de gamificação e metanarrativa, permitindo que o público participe ativamente da descoberta do culpado.

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