Frias nega ao STF uso de emendas para financiar filme de Bolsonaro

Frias nega ao STF uso de emendas para financiar filme de Bolsonaro mai, 27 2026

Em uma defesa contundente apresentada no dia 25 de maio de 2026, o deputado federal Mário Frias, do Partido Liberal (PL), negou veementemente ter utilizado emendas parlamentares para bancar a produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento foi endereçado diretamente ao ministro Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal, relator da apuração preliminar que investiga o destino de R$ 2 milhões repassados pelo parlamentar.

A questão não é apenas sobre dinheiro público; trata-se de um caso que mistura política, cinema e acusações graves de desvio de finalidade. A suspeita central é que os recursos tenham sido canalizados para a produtora Go Up Entertainment, responsável por "Dark Horse", o filme que narra a trajetória de Bolsonaro. Mas, segundo Frias, essa narrativa é "falsa, difamatória e desprovida de qualquer lastro probatório".

O cerne da acusação: dinheiro público ou projeto social?

O ponto de partida da investigação no Supremo Tribunal Federal é o envio de R$ 2.000.000,00 em emendas parlamentares pelo deputado paulista ao Instituto Conhecer Brasil. Para os investigadores, esse instituto mantém vínculos operacionais com a Go Up Entertainment. A lógica seguida pela denúncia sugere que, ao financiar o instituto, Frias estaria indiretamente lubrificando as engrenagens da produção cinematográfica.

No entanto, a defesa do deputado inverte completamente essa premissa. Em sua manifestação, Frias detalha que o dinheiro tinha um destino muito mais tradicional e menos glamouroso: projetos sociais focados em inclusão digital, empreendedorismo local e programas esportivos. Ele argumenta que não há nenhuma prova concreta — nem mesmo uma pista financeira clara — que conecte esses fundos sociais aos estúdios de gravação ou à equipe técnica do filme.

"Não há, nos autos, uma única prova sequer de que esses recursos tenham sido desviados para qualquer produção cinematográfica", afirma textualmente o deputado no documento. Para ele, a acusação se sustenta apenas em uma "suposta associação ilícita" baseada no fato de as entidades compartilharem o mesmo endereço físico, algo que ele considera juridicamente irrelevante e insuficiente para configurar irregularidade.

Pareceres técnicos blindam a tese da legalidade

Para reforçar sua posição, Mário Frias não fica apenas nas palavras. Ele traz à baila documentos oficiais emitidos pelos órgãos de controle internos da Câmara dos Deputados. Um deles é o parecer da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira (CONOF), que não identificou vícios formais ou materiais na aplicação das emendas.

Mais ainda, o advogado-chefe da Câmara, Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva, emitiu uma manifestação oficial em 6 de abril de 2026 corroborando integralmente a visão da consultoria. Segundo o texto citado por Frias, os procedimentos observaram "integralmente a legislação de regência". Essa validação técnica é crucial, pois tira o caráter de "obvious illegality" (ilegalidade óbvia) da operação, transferindo o ônus da prova para quem acusa.

O contexto midiático e o banqueiro Daniel Vorcaro

O contexto midiático e o banqueiro Daniel Vorcaro

O caso ganhou contornos de novela política quando áudios vazados recentemente colocaram o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no centro das atenções. Nas gravações, Vorcaro discute estratégias para captação de recursos destinados à produção de "Dark Horse". Embora não haja menção direta a Frias nesses trechos específicos divulgados, a proximidade entre o círculo bolsonarista e o financiamento do filme alimentou as especulações públicas.

É importante notar que, enquanto a apuração no STF segue em fase preliminar, a narrativa pública já havia construído uma ponte entre o dinheiro do banco, o filme e as emendas parlamentares. A defesa de Frias tenta exatamente cortar essa ponte, separando o universo das finanças privadas do filme do universo das obrigações legais das emendas parlamentares.

Outra frente de batalha: a suposta "rachadinha"

Se a questão do filme é complexa, outra nuvem se forma sobre a cabeça de Mário Frias. Paralelamente à ação no STF, o deputado Chico Alencar apresentou representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciando supostas práticas de "rachadinha" no gabinete do parlamentar do PL.

A denúncia baseia-se em relatos de Gardênia Morais, ex-assessora do gabinete, e em comprovantes bancários que mostram transferências via Pix somando mais de R$ 35.000,00. Segundo os documentos, parte desse dinheiro seria devolvido pelos assessores e usado para pagar despesas pessoais, incluindo faturas de cartão de crédito da esposa de Frias e transferências para a mãe do deputado. Os crimes apontados incluem peculato, concussão e lavagem de dinheiro.

Até o momento, Frias não se pronunciou publicamente sobre essas novas acusações específicas, concentrando seus esforços na defesa perante o STF. A situação ilustra um cenário político turbulento, onde investigações judiciais e narrativas midiáticas colidem, testando a resiliência dos envolvidos.

O que esperar a seguir?

O que esperar a seguir?

Agora, a bola está com o ministro Flávio Dino. Cabe a ele analisar se as provas apresentadas por Frias são suficientes para arquivar a denúncia ou se a investigação deve se aprofundar, talvez requisitando auditorias forenses mais detalhadas nas contas do Instituto Conhecer Brasil. Não há data prevista para essa decisão, mas cada dia sem resposta aumenta a pressão pública.

Enquanto isso, o filme "Dark Horse" continua sendo produzido, e o debate sobre o uso ético e legal de recursos públicos na política brasileira permanece acirrado. Para os eleitores, a mensagem é clara: a transparência não é apenas um requisito legal, mas uma demanda social urgente.

Frequently Asked Questions

Qual é o valor exato sob investigação no STF?

A apuração preliminar no Supremo Tribunal Federal investiga especificamente o destino de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) em emendas parlamentares enviadas pelo deputado Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil. O foco é determinar se esse montante foi utilizado, direta ou indiretamente, para financiar a produção do filme "Dark Horse".

Quem é o relator do caso no Supremo?

O relator da apuração preliminar é o ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal. Foi para ele que Mário Frias dirigiu sua manifestação de defesa em 25 de maio de 2026, negando as acusações de desvio de verbas.

Qual a justificativa dada por Frias para o uso das emendas?

Mário Frias afirma que as emendas foram destinadas exclusivamente a projetos sociais, incluindo iniciativas de inclusão digital, empreendedorismo e esportes. Ele cita pareceres da CONOF e do advogado-chefe da Câmara dos Deputados para atestar que não houve irregularidades formais ou materiais na aplicação desses recursos.

Existe alguma outra investigação contra Mário Frias?

Sim. Além da apuração no STF sobre o filme, o deputado Chico Alencar protocolou representação na PGR denunciando suposta "rachadinha" no gabinete de Frias. A denúncia envolve alegações de desvio de salários de assessores, com valores superiores a R$ 35.000,00, usados para despesas pessoais da família do deputado.

Qual é a relação entre o Instituto Conhecer Brasil e o filme?

A investigação sugere que o Instituto Conhecer Brasil, destinatário das emendas, possui vínculos com a Go Up Entertainment, a produtora responsável por "Dark Horse". A denúncia baseia-se parcialmente no compartilhamento de endereço entre as entidades, embora Frias afirme que essa conexão não configura ilegalidade nem prova desvio de finalidade.