Dólar recua para R$ 5,1550 após intervenção do Paquistão no Oriente Médio

Dólar recua para R$ 5,1550 após intervenção do Paquistão no Oriente Médio abr, 9 2026

O Dólar fechou a terça-feira, 7 de abril de 2026, cotado a R$ 5,1550, registrando uma alta tímida de 0,17%. O movimento parece irrelevante à primeira vista, mas esconde uma montanha-russa de nervosismo: a moeda chegou a bater R$ 5,1735 logo cedo, impulsionada pelo medo de um conflito iminente no Oriente Médio. O que segurou a disparada foi uma reviravolta diplomática envolvendo o Paquistão, que trouxe um sopro de alívio para os investidores globais e reduziu a aversão ao risco no final do dia.

Aqui está o ponto central: o mercado estava em pânico com o prazo dado pelos Estados Unidos ao Irã para aceitar um cessar-fogo ou reabrir o Estreito de Ormuz. O clima era de "tudo ou nada". No entanto, a intervenção de Islamabad mudou o tom da conversa, impedindo que o real derretesse ainda mais diante da moeda americana.

Tensão máxima e a ameaça de Donald Trump

A manhã de terça foi marcada por declarações pesadas. Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, não poupou palavras ao alertar que "uma civilização inteira morrerá esta noite" caso o Irã rejeitasse a proposta de cessar-fogo ou não reabrisse o Estreito de Ormuz. O prazo era apertado, vencendo às 21 horas (horário de Brasília).

Essa retórica agressiva jogou o dólar para cima. O mercado odeia incerteza, especialmente quando envolve o fornecimento global de petróleo e a possibilidade de ataques massivos. Oddly enough, enquanto o mundo segurava o fôlego, a moeda brasileira tentava encontrar um suporte, mas a pressão geopolítica era esmagadora.

A reviravolta diplomática do Paquistão

O cenário começou a mudar no final da tarde. O governo do Paquistão entrou na jogada, solicitando formalmente que os Estados Unidos estendessem o prazo final. Mais do que isso, Islamabad instou o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz como um "gesto de boa fé" nas próximas semanas.

A resposta veio rapidamente via Karoline Leavitt, Secretária de Imprensa da Casa Branca, que confirmou que o presidente Trump já estava ciente da proposta e que "uma resposta virá". A notícia de que o Irã estaria concordando com esse plano circulou rapidamente, e foi esse o gatilho para o recuo do dólar e a queda da aversão ao risco.

Impactos nos mercados globais e B3

Não foi apenas o real que reagiu. O índice DXY, que monitora o dólar frente a seis moedas fortes, caiu cerca de 0,30%, encerrando a sessão em 99.700 pontos, após ter tocado a marca de 100.156. Enquanto isso, o euro e a libra esterlina ganharam força, reflexo de que o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra podem apertar a política monetária para combater a inflação causada pelos choques nos preços de energia.

No Brasil, a volatilidade foi nítida. Os contratos futuros de juros na B3, que passaram a maior parte do dia subindo, inverteram a tendência na última hora de negociações, acompanhando o alívio global. No acumulado de abril, o dólar já registra perda de 0,46%, e no ano, a queda chega a 6,08%.

A conta fiscal de Bruno Moretti

A conta fiscal de Bruno Moretti

Enquanto o mercado cambial oscilava, o governo brasileiro trazia números sobre a economia doméstica. Bruno Moretti, Ministro do Planejamento e Orçamento, revelou que o custo de medidas econômicas implementadas somaria R$ 8 bilhões em dois meses. Se projetado para o ano, esse valor saltaria para R$ 31 bilhões.

Mas calma, a equipe econômica afirma que o impacto fiscal será neutro. A lógica é simples: o aumento na arrecadação de impostos, impulsionado pela alta do petróleo (justamente devido às tensões no Oriente Médio), compensaria esses gastos. É a ironia do mercado: a crise geopolítica que assusta os investidores acaba gerando receita extra para os cofres públicos brasileiros.

Projeções: Bradesco Asset revisa dólar para baixo

A Bradesco Asset Management resolveu atualizar suas previsões. A gestora reduziu a estimativa do dólar para o fechamento de 2026, baixando de R$ 5,35 para R$ 5,30. Para 2027, no entanto, a projeção permanece em R$ 5,50.

A justificativa da casa é que o real tem mostrado uma resiliência surpreendente. Mesmo com o risco elevado no Oriente Médio, a valorização da nossa moeda e a perspectiva favorável para as exportações brasileiras justificam a revisão para baixo. Basicamente, o Brasil está conseguindo navegar melhor na tempestade do que se esperava.

Perguntas Frequentes

Por que o dólar caiu no final do dia 7 de abril?

O recuo aconteceu devido à diminuição da percepção de risco global. O governo do Paquistão interveio nas negociações entre Estados Unidos e Irã, sugerindo a extensão de um prazo para cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, o que tranquilizou os investidores.

Qual foi a ameaça feita por Donald Trump?

O presidente dos EUA afirmou que "uma civilização inteira morreria" caso o Irã não aceitasse os termos do cessar-fogo ou não reabrisse o Estreito de Ormuz dentro de um prazo de aproximadamente 21 horas, sinalizando ataques massivos contra o país.

Como as medidas econômicas de Bruno Moretti afetam o orçamento?

As medidas custarão R$ 8 bilhões em dois meses, totalizando R$ 31 bilhões anualmente. Contudo, o governo prevê impacto fiscal neutro, pois a alta dos preços do petróleo aumenta a arrecadação de impostos, compensando os gastos.

Qual a nova projeção do Bradesco Asset para o dólar?

A gestora revisou a projeção para o final de 2026, baixando de R$ 5,35 para R$ 5,30, citando a valorização do real e a perspectiva positiva para as exportações brasileiras, apesar das tensões externas.